A leishmaniose tem tendência a ser endémica nas regiões onde se encontram o vector e os mamíferos, que actuam como hospedeiros e reservatórios do parasita.
Os cães domésticos são um importante reservatório para a forma clínica visceral da leishmaniose humana. A quantidade de cães infectados é difícil de calcular devido, por um lado, à existência de cães assintomáticos e, por outro, ao longo e variável período de incubação, que pode atingir anos. Em alguns focos endémicos da infecção podem ser atingidos valores de seroprevalência de 60% a 80%. No entanto, é preciso ter em conta que alguns animais podem nunca desenvolver a doença. A infecção canina ocorre principalmente em áreas rurais ou nas zonas limítrofes das cidades. No entanto, a urbanização da infecção canina e humana tem sido cada vez mais reportada e constitui uma ameaça ao bem-estar de muitos cães e humanos.
Baseado em estudos de seroprevalência realizados em Espanha, França, Itália e Portugal, foi estimado que, nestes países, cerca 2,5 milhões de cães estão infectados com Leishmania infantum.
Em Portugal Continental, e com base em estudos de seroprevalência já realizados, podem ser consideradas endémicas a região de Trás-os-Montes e Alto Douro, a sub-região da Cova da Beira, o concelho da Lousã, a região de Lisboa e Setúbal, o concelho de Évora e o Algarve. Presume-se que a LCan seja igualmente endémica em outras áreas do Alentejo, além do concelho de Évora, e também em algumas áreas do Ribatejo. Não obstante, em quase todo o território continental são detectados casos esporádicos da doença.
Outro factor que deve ser considerado na epidemiologia da doença é o seu conhecimento por parte das populações, pois um nível de conhecimento baixo pode constituir um factor de risco que permita, pelo menos, a perpetuação da doença.
Com base num questionário sobre a Leishmaniose Canina realizado junto de proprietários de cães que visitaram Centros de Atendimento Médico-Veterinário, uma equipa multidisciplinar de veterinários e investigadores efectuou um estudo que permitiu ter uma ideia do nível de conhecimento da Leishmaniose, em Portugal, nomeadamente que:
• 40% a 70% dos donos dos cães não conhecem a LCan;
• 55% a 80% não sabem qual o resultado do tratamento;
• 60% a 75% não sabem como prevenir esta doença;
• 70% a 85% desconhecem quais os sinais clínicos típicos;
• Só 20% considera que a LCan pode ser transmitida ao homem;
• Apenas entre 6% a 12% dos donos dos animais inquiridos demonstram ter um conhecimento satisfatório acerca da LCan.
Estes resultados permitem concluir que o nível de conhecimento acerca da doença é reduzido, tornando-se evidente a necessidade de serem desenvolvidos esforços de sensibilização e esclarecimento junto dos donos dos cães acerca desta parasitose.
